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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bruxelas tutausendeit

Tive de facto um problema em Bruxelas: a falta de privacidade. E por dois motivos óbvios: 1º: o facto de ser logísticamente impossível de mandar uma trolitada (a não ser no sítio onde se guardam as esfregonas, ou uma merda assim, e eu sou refinado), 2º:tendo dormido mal por culpa de não poder encostar os joelhos um ao outro, apercebi-me da dificuldade que teria em resolver esta situação. A casas de banho não me eram familiares (se ainda fossem as do meu restaurante preferido, ainda vá, agora de um hostel qualquer ranhoso... não), de modos que foi complicado. Ainda por cima acordei ressacado, seria-me complicado concentrar nas coisas que me ajudariam a tamanha tarefa. Mas chega de javardices.
Acordei as 7:30 e o quarto cheirava a merda. É mentira, era só para me contradizer.
O programa começava sempre a uma hora a que eu (e muitos) chamamos "cedo como o caralho", por volta das 8:15 o autocarro arrancava para os locais de actividades. Mal dava tempo par ao pequeno almoço refinado , composto por pão de forma, pão de forma e uma espécie de pão de forma. Havia também leite, café e compotas. Ah, e tang de laranja. Brutal.
Cortando a coisa pela metade, a puta de Semana da Juventude foi uma merda. Desorganizada, incompreensível, cansativa, inútil e aborrecida. 1ºdia: chegámos a um Edifício perto do Parlamento Europeu, onde nos esperava o almoço:pãezinhos recheados de paneleirices, isto é, de pois do pequeno almoço composto por pão de forma, ao almoço mais pão que te fodes. E porque é que isto me chateia? Porque os pãezinhos custam os olhos da cara. Era sandes de salmão fumado, queijo com açafrão, carnes frias, todas enfeitadinhas e mais o caralho a sete. E mais, havia pessoas a servirem-nos de fatinho branco, uma espécie de pinguim invertido (como o gajo da Suécia). Senti-me um idiota. E tudo piorou quando chegou a banda de samba. Sim, de samba. apito na boca, um granel do caralho, nem me ouvia a pensar, e no final eram Portugueses e chamavam-se U Banda. Pior que isto só o Joaquin Cortez a dançar Folclore com a Dª Quinhas do 3ºDto.
Um dia de seca gigante, de volta para o hotel,e mais cerveja. Nada digno de registo, embora a Chris andasse sempre por perto, era claro que não era desta que eu adicionaria o Austríaco como mais uma língua falada pela minha gaita. No dia seguinte, acordando à mesma hora (mais ou menos quando o Sueco acabava a segunda demão de cremes de beleza na peitaça), as coisas aqueceram. Éramos suposto ter um "debate" com políticos de segunda categoria, e assim foi. Sentámo-nos todos numa sala cheia de microfones, e daquelas cenas à parlamento, e demos início ao "debate". Passado 30 min. de baboseiras (entre as quais uma pérola sobre a Europa, em que a Sra Gorda que aparentemente controla a Juventude na Europa, em que uma analogia entre o Sistema Educativo e a Branca de Neve foi lida como um conto de fadas), e nessas baboseiras havia conceitos, palavras e expressões que ninguém conhecia, foi-nos dada voz. Quem carrega no botão? Eu. "Bom dia, o meu nome é Pedro e não tenho uma pergunta, mas uma afirmação: não percebi nada do que os senhores disseram". A sala irrompe em risos e aplausos, deixando os senhores políticos muito embaraçados. Devo confessar que sonhava com o dia e que conseguiria (já que não se muda nada mesmo) apanhar esses sócios a jeito de me rir à custa deles.
Depois de mais uns discursos à político, e de umas quantas perguntas sem resposta, um jornalista Belga falou. Falou e eu percebi o que ele disse. Falou de problemas reias, com expressões reais.
Depois de um Senhor papa-pernas-de-rãs chamado Pierre Maresse falar mais um pouco, voltei ao ataque. "Bom dia sou eu outra vez: como esperam a nossa contribuição quando falamos línguas completamente diferentes"? A resposta do amaricado (não sei se já vos expliquei que os Franceses... sim já expliquei) foi que não podíamos infantilizar o discurso, e chamou-nos de cínicos, visto que nos estavamos a queixar, e eles faziam aquilo por nós. Nós quem? A merda é essa, esta porra não passou de um evento de auto publicidade em que os políticos amaricados (a maioria são Franceses, ou falam a língua, ou parecem-se com eles) dizem que sim, preocupam-se,e nós somos (lá isso somos, não temos saída) o futuro da Europa, mas no final, nem uma conversa decente conseguimos ter: eles com os seus subterfúgios, nós perdidos, cansados e frustrados.
Depois a pérola do Monsieur Maresse: é preciso combater a pobreza, existem 20% de pessoas pobres na Europa. Vamos lá fazer as contas: 200 jovens, 200 bilhetes de avião, autocarros em Bruxelas, comida (tivemos um buffet dentro do parlamento com comida 5 estrelas, incluindo confit de pato e caviar de beringela, 80% nunca tinha sequer ouvido falar daquilo), estadia, pagar a Media Consult, a empresa que organizou (e mal) o evento, alugar salas para as workshops (havia três, não consigo dizer qual delas a mais inútil)... e depois vem-me este emproado falar em combater a pobreza??? Senti-me dos seres mais idiotas à face da terra (mesmo contando com o nosso jet-set), de repente olhei em volta, para os jovens que me rodeavam, muitos de fato e gravata, salto alto, futuros pretendentes a políticos, e esta visão deprimiu-me até ao fim do evento...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

2008

Diga-se, em bom abono da verdade, que em 2008 não escrevi nada. Ou seja este post havia de ser grande como o caraças. Ontem, antes de adormecer recordei-me que estive em Bruxelas para um evento grande e esplendoroso: a merda da Semana Europeia da Juventude.
Na Duha ganhámos uma nomeação para melhor projecto na Checa no âmbito da acção (ou é ação? paneleiros de merda, sempre a confundir um gajo) 2 do Programa Juventude em Açcão: O SVE.
E como tal, fomos à cerimónia de entrega dos prémios: a merda da semana. Dois representantes da Duha: eu (porque participei e coordenei) e a Coordenadora dos Sve's que, embora não tenha participado, é a actual coordenadora, e de qualquer modo não havia mais ninguém para enviar.
Com tudo pago pela Comissão Europeia, e um bónus de 50 aéreos para umas birras, nem pensei duas vezes, vai d'imbute (expressão usada pelo meu pai, nunca saberei o que quer dizer).
Começou bem, no aeroporto de Bruxelas havia uma banca pertencente ao evento, perguntei qual era o plano, e fiquei a saber que havia um autocarro em 15 minutos directo para o hostel. Ao mesmo tempo, fiquei também a saber que havia gajas boas no evento, isto porque uma Austríaca se encostou também ao balcão a perguntar qual era o plano. Mas vinha com um apêndice: uma amiga com cola super 3 nos ténis, que não descolava nem à lei da bala.
Um pouco de paleio, e o autocarro chega. Éramos 8: 3 "Checos" (eu incluído), 3 Austríacos (o 3o um jornalista, que não se calou um minuto, com a pose de "eu sou jornalista Europeu", uma pose semelhante a quem tem um pepino no cu), e dois Ingleses.
Passado uma boa horita, em que o meu cu começava a ganhar o padrão do tecido que cobre os bancos, o autocarro para. Dirijo-me ao motorista e pergunto-lhe: Olha lá caralho, é aqui o meu hostel (claro que não fi assim, mas tinha piada se fosse)? E o gajo responde-me em Francês: Não, têm que andar 200 metros, e é algures por aí. Fiquei maluco, então este gajo tinha de nos levar ao hotel e para o autocarro ali e corre connosco? "Daqui não passo" diz ele. Resignei-me, e perguntei indicações mais detalhadas, o que não existia. Pena o meu Francês não ser bom o suficiente para lhe chamar papa-pernas-de-rã que era o que ele merecia, o granda amaricado (ah sim, tudo o que é francês falante é amaricado, não sei se alguma vez vos disse).
Criou-se um ambiente de pequena preocupação, e aqui viu-se as diferenças culturais, o Tuga "há-de la chegar", os Austríacos estavam em pânico porque não tinham um mapa à escala 1:2 para se orientarem, e os Ingleses estavam-me a perguntar a MIM (como se eu soubesse um caralho do que se estava a passar) onde era o Hostel deles, do qual nem sabiam o nome. Mandei-os na direcção (direção? Foda-se...) que o motorista me disse, e sinceramente, não estava assim muito preocupado.
Lá demos com o sitio, o Youth Hostel "Sleep Well", no meu quarto estavam os Checos, os Turcos e o Sueco, um gajo que acordava às 6 da manhã por causa dos cremes para o corpo e o camandro, um verdadeiro metrossexual (eufemismo usado hoje em dia para homossexual no armário). Éramos ao todo 8 macacos. Podia ser pior, tirando a minha cama: não me podia sequer sentar porque marrava com os cornos directamente no estrado na cama de cima. Entretanto era hora de jantar e eu estava com fominha, e por isso não pensei em mais nada senão na comida de prisão que nos ia ser servida. Mais uma vez, a Tuguice de uma pessoa vem ao de cimo: chegados à cantina (eu e os Checos que , btw, eram aborrecidos como a merda), estava toda a gente cá fora. Eu entro, pergunto "pode-se comer" e passados 5 segundos, pimbas, estava a comer um panado com puré "automático" e molho universal... e a fila de algumas 80 pessoas formou-se.
Depois do papo cheio, hora da vadiagem. Claro que me colei a Austríaca que conheci no aeroporto, vamos chama-la Chris (até porque é o nome dela), e lá fomos dar uma volta. Incrível: passado 10 minutos, os Nórdicos (Dinamarqueses, Noruegueses e Suecos) entram no mesmo bar. Somos tão instintivos como as zebras.
Umas cervejinhas (caras como o caralho) e damos uma voltinha para ver a maior atracção de Bruxelas: uma estatueta de um miúdo a mijar. Costumo dizer ao pessoal o seguinte:O produto (seja ele o que for) não é descabido, nem estúpido em si, o estúpido é "comprá-lo". E como tal, o que é estúpido não é o miudo a mijar (por mim até podia ser um cão a cagar de cócoras), o absurdo é a quantidade de pessoas a posarem com a pila do miúdo mais ao menos apontada à nuca, símbolo da sua ida a Bruxelas e da sua estupidez incomensurável. Hm, estou mais calmo agora...
Mais umas voltinhas e voltamos para o Hostel. Como ainda era cedito, resolvemos ir até ao bar do dito cujo, nada mais nada menos que uma cave, com umas colunas do tamanho das paredes, a bombar Sean Paul como se o amanhã fosse a puta de uma miragem. Ainda assim, ficámos para uma: eu, a Chris e o Johannes um Dinamarquês curioso (curioso em si, não como característica). Pedimos a cerveja, e de repente, vinda da pista de dança (o que para mim foi de imediato um mau sinal) uma jovem anafada e loira grita "sou a não sei quantas!" Eu disse-lhe "boa" (aqui um aparte: eu sei que sou uma besta, mas não vendo motivos para dar atenção a gordas histéricas, não o faço). Eu e a Chris começamos a falar um com o outro, e o Johannes com a "menina". Passado 30 segundos, os dois despedem-se. Digo eu à Chris "foda-se este gajo sabe o que faz". Falamos mais um pouco, ela chega-se, eu perco a vergonha e beijo-a. Comecei logo a pensar onde é que aquele mamaçal ia saltar em cima da minha cabeça. Com quartos cheios da povo Nada se passou, ela não parecia assim tão para aí virada, e eu não sou gajo de pedinchar.
4 da manhã, vou a caminho do meu quarto com as bolas a baterem-me nos joelhos (aqui abro os maiores parêntesis da história dos parêntesis: antes do embarcar para Bruxelas, uma amiga boaboaboaboaboaboaba que até dói, dormiu lá em casa, para me fazer festinhas. E não fez mais do que isso, porque, aparentemente, tinha como plano deixar-me tão assado que eu iria passar uma semana em Bruxelas a pensar nela. Enganou-se, porque em vez disso, passei uma semana ver onde é que ia fazer a boa acção da "reciclagem" (esta é um pouco baixa... gosto)), e vejo o Johannes. "Man, então, sim senhora, porra és rápido" digo-lhe a sorrir. Diz-me ele: porra, a gaja convida-me para o quarto, eu já a pensar no óbvio, e ela chaga lá para me falar sobre o facto do sistema educacional Europeu estar todo fodido...
Não acreditei, ri-me até às lágrimas, ele jurou que era verdade, conclui que o mundo está cheio de freaks, e fui dormir, com as bolas doridas...
Ina pá ca granda posta!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Esqueci-me outra vez do título

Domingo 21:24, Diário Interestelar:
Mal posso caminhar, cada passo que dou sinto as dores que me atrofiam os músculos, fazendo as pernas vacilar a cada passo que dou. Este sentimento, em conjunto com a sonolência que o fluxo constante de sangue me dá, faz-me sentir esgotado, desidratado, e mal posso abrir os olhos. Nunca mais passo o fim-de-semana a pinar.
O meu novo posto no trabalho não está a correr mal, já tenho uns campos de trabalho garantidos (uma espécie de campos de férias onde se ajuda uma outra Organização ou um particular), e outros em lista de espera. O mais maluco que vou tentar organizar é num cemitério. Enterrados nesse cemitério estão Alemães que viviam no Norte da República Checa. Idos os Alemães, o cemitério foi votado a um abandono desrespeitoso. O objectivo é tentar fazer o link entre os familiares dos falecidos, tornar a situação do conhecimento geral e juntar um grupo de voluntários que terá de ser doido, o trabalho proposto é limpar sepulturas.
A mudança de trabalhador em part time, para todo poderoso Coordenador dos Workcamps ocorreu de maneira engraçada: tinha apalavrado a mudança com a minha boss, mas nunca mais se falou do assunto. Chegou a uma altura (por volta de 18 de Dezembro), em que eu tinha de saber o quando e o como, porque estava a trabalhar no restaurante Espanhol e a dar aulas de Português e tinha de saber como ia ser a minha vida. Então perguntei à minha boss "como é a nossa vida?" E ela disse: ah, pois já és full time desde o início do mês... Mais valia ter ficado calado e andava a fazer vidinha de part time o mês todo, mas depois de ter perguntado tive de estar todos os dias 8 horas no office.
Por outro lado liguei logo para o restaurante a cancelar as minhas viagens a Espanha, e as lições ocupavam-me demasiado tempo e cancelei-as também. Agora ando com uma vidinha... à maneira.
E as pessoas continuam a ir e a ver, e as que são de cá, são como as de lá. Nada muda, apenas se transforma já dizia o outro. A propósito quero deixar aqui bem expresso que o Descartes era um otário.
Agora tenho de ir que tenho a Krystyna à espera. Ultima frase: tenho um fraquinho por ti. Bolas, não quero nada com ela... Digo sempre isto antes de fazer merda.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um ano novo começa, quer queiramos quer não, com as premissas, as avaliações, os "flashbacks" e toda essa panóplia de merdas que não levam a lado nenhum a não ser umas recordações engraçadas, uns arrependimentozitos, e a promessa de que este ano é que vai ser (pelo menos para aquele pessoal mais afecto ao futebol).
Olhando pra trás, não estou nada arrependido da minha mudança. Alcancei algo que estou neste momento a desenvolver, muito embora não saiba onde possa levar (nunca fui muito bom a planear, dava sempre merda e por isso desisti), e só por isso já me posso dar por satisfeito. E agora? Agora que se foda, já se vê.
Os birls checos estão contaminados. Já vi montes de estrangeiros a ficarem k.o., a vomitarem-se todos, a desmaiarem e uma vez até vi um todo nu na rua a gritar "não me comam, não me comam, não sou uma maçã (este último é mentira). Já me aconteceu a mim. A última foi.. ontem.
Conheci uma voluntária. Alemã, gira, jeitosa, engraçada, (queria escrever boa comó caraças, mas é um pouco baixo, e eu sou um gajo com nível). E como sou egoísta (tenho sexo regularmente, mas.. porque não?), insisto um pouco. Então acabei num jantar de Erasmus, com muita pizza, muito vinho, e muito Birls daquele contaminado.
Assim em jeito de didascália, o Erasmus é um programa giro: em Bruxelas dizem que é um sucesso, no terreno só se vê jovens a terem 3 disciplinas por semestre, a foderem-se todos, e a terem dinheiro para isso. Gosto, até porque é concerteza uma experiência memorável. Espero que o sucesso se refira ao alargar de horizontes em si. No fundo quero bem é que se foda.
Cheguei ao jantar e estavam lá uns poucos. Um Espanhol, uma carrada de Franceses, Checas e Alemães. Um vinho, dois vinhos, três vinhos, um birl. Nisto chega uma carrada de Franceses, Espanhóis, Gregos e mais sei lá o quê, e a casa fica cheia de povo.
Claro que eu era o outsider ali, o que não foi um problema de todo, passei apenas mais tempo a observar do que a falar. Depois do segundo Birls a coisa desabou: Comecei a ficar paranóico enquanto falava com uma Francesa acerca dos Checos. Ninguém gosta de generalizar, mas os Checos são antipáticos, frios e maus. E eu enquanto falava com ela, nunca discordando, mas oferecendo outros pontos de vista, tive um quebra de tensão, que na minha cabeça queimada significou "foda-se vai me já dar um chilique e perco o controlo em frente a esta gente toda", e interrompi o meu discurso para ir buscar água, depois fui até a varanda (e nisto a Francesa a olhar para mim), para depois ir a casa de banho, apenas para tentar ganhar algum controlo sobre o desconforto que me assolava, desconforto esse que nao conseguia de todo explicar.
Saí da casa de banho e fui-me embora. A francesa pareceu não ligar muito, o que eu agradeço, e a Alemã nem pareceu notar, levou-me à rua a explicou-me onde estava o eléctrico. Enquanto isto não parei de me mexer de um lado para o outro a pedir desculpas por estar assim. A loucura.
O ar frio da rua fez-me bem, por sorte o eléctrico chegou logo. Tive três situações em que queria sair do eléctrico, tal era a paranóia que me ia na cabeça. O eléctrico parou em Strossmayerovo Namesti (é já ali) e assisti a algo interessante: O maquinista da coisa, saiu disparado para perguntar a dois passageiros se tinham bilhete. Eles mandaram-no levar onde o sol não bate, porque ele não tinha essa autoridade. O motorista vai, chama as "ameixas" que é como se chama aqui à Moina, e tinha de facto razão, eles não tinham bilhete. O gajo volta para a sua cabine, e solta um riso mesmo à filha da puta, maquiavélico, mesquinho. Eu e um casal de Checos não queríamos acreditar, aquilo não era normal. O outro passageiro, um tipo com os seus fones na cabeça, que nem ligou à situação, e estava até muito entretido com a música, usando as suas pernas como um tambor. O cabrão do maquinista volta a sair da cabine para dizer ao tipo dos fones "não vais bater nas pernas a noite toda pois não?" O gajo que está ao meu lado com a namorada, meio punk manda-lhe um berro: estás com algum problema boi? Maquinista: Tu é que deves estar. O gajo insiste: tu é que estás boi, agora vai para dentro, e conduzes a merda do teu eléctrico, e caladinho. O maquinista ameaçou-o com a polícia, mas o gajo mandou-o foder, o bacano dos fones continuou a batucar, e o casal foi-se a rir a noite toda. Foda-se que pena não não ter BI para ter podido entrar na cena mais abertamente. MAs a atitude do gajo.. respeito. Tinha a minha envergadura, e provavelmente teria levado um enchimento. Calou-se? Nem pensar à saída ainda provocou mais o maquinista. Granda maluco...
Eu? Chegado perto de casa ainda tive tempo de esperar um pouco para que uma amiga (a rapariga mais atraente que já vi em toda a minha vida) me viesse aquecer a cama.
A estrelinha ainda brilha...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Das Festividades e Afins

O Natal foi porreirito, a Zane voltou para passar o Natal comigo (acto que me deixou contente e assustado), e passámos a semana Natalícia a passear por Praga, a cozinhar (o que não foi fácil; ela é alérgica ao glúten, e para facilitar as coisas, é vegetariana), e a fazer outras coisas.

Descobri duas coisas: farinha sem glúten, e que as pessoas têm de facto ritmos diários e relógios biológicos diferentes. Estar de férias e ser acordado às 8 da manhã não é bom, normalmente daria azo a cotovelada nos dentes, e uns grunhidos que, embora incompreensíveis, significariam “foda-se deves ser maluca”, mas neste caso, quando és acordado com um “estou molhada...”, a coisa muda de figura, não há cá paleio nem miminhos para forçar a coisa, porque a coisa está ali.

Quando ela voltou para a Letónia, apercebi-me que não tinha plano absolutamente nenhum para a passagem de ano. As pessoas com quem me interessaria passar essa estranha noite estavam todas fora, e as que eu sabia cá estarem... minha Nossa Senhora. Para além disso estou sem identificação desde o dia 4 de Dezembro, por isso não podia ir a lado nenhum fora do país. Encontrei-me com o Martin (o meu irmão Checo, devo ter escrito algo sobre ele algures) uns dias antes, e desenhámos o plano. Aquekle que tivesse o plano menos merdoso, convidava o outro. Eu como não tinha plano nenhum, juntei-me ao Martin e aos amigos da namorada. Começou mal, a maioria eram gajos tótós e as gajas eram todas Francesas que, como toda gente sabe, ou são feias, ou estranhas, ou cheiram mal, ou tudo junto.

Posto isto, juntei-me ao Martin e ele a mim. À partida estaria tudo bem, mas depois de dois vinhos quentes (especialidade de Inverno cá na Checa) e uns shots de vodka... a namorada dele começou a variar. Reparei que ela parecia estranha, depois reparei que ela andava sempre na peugada de Martin, sussurando algo ininteligível de vez em quando, o que me fez, juntamente com a cara dela, ficar algo preocupado. A coisa rebentou por volta das 23 quando a caminho da Literarní Kavarna: ela, provavelmente carente de atenção e farta de esperar, explode. Começa a dizer-lhe que ele só quer estar comigo (senti-me uma gaja boa naquela altura... estranho), e que não lhe liga nenhuma e aquele paleio do costume. Este bifes sempre que bebem só sabem armar a puta.

Chegados ao sítio (uma espécie de local pseudo intelectualóide, nada a ver com passagem de ano), encontro a Eva, uma Polaca amiga da Krystyna, boa que até dói, tão perdida quanto eu.

Meia-noite, o Martin ao balcão a discutir (a ouvir) a Inglesa, e eu a brindar: Feliz Ano Novo! (já agora como é que te chamas?) o que tem o seu quê de decadente.

Apresentei a Polaca boazona à malta e depois fomos para o bar onde ninguém fala Checo: O Blind eye, cheio de gays e malta “diferente”. O Martin ainda apareceu um pouco, mas mal falei com ele, receoso que ela começasse a vomitar ou assim.

O desespero por uma relação sexual no início do ano é espantosa, toda a gente quer saber o teu nome, e de facto toda a gente sabia que eu era “o Português”. Às 4:30, bem bebido, fui-me embora, sem dizer adeus a ninguém. Cheira-me que foi o meu último Ano Novo nas ruas de Praga...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Malta! Não escrevo nisto há mais de um ano! Porra... e pergunta o pessoal: Oh Pedro (e eu: que é pá, e eles: Peedro, e eu: que é foda-se??) porque é que não escreves no teu blog? E eu respondo: porque não quero, agora deixa-me e vai lá brincar com os teus amigos, vá.
É mentira, tenho andado ocupado, vou tentar resumir o que se passou este ano, e voltar a escrever mais regularmente (digo sempre isto). Passei o ano de 2008 a trabalhar na Duha e no restaurante Espanhol o que me desde logo me rouba mais tempo para escrever. Foi um ano calminho, o part time aqui na Duha não foi de todo exigente (de todo mesmo), e fazer tortillas a paellas não é nada por aí além. O problema foi a vida citadina, non stop de noitadas e sair com o pessoal.
Estava a ler o meu último post... Antiquíssimo, um autêntico dinossauro literário. Mas trouxe-me à memória tanta coisa.... O Pablo, acabado de aparecer no último post, tornou-se no meu irmão do país das castanholas, já não falava com a Krys há um ano (voltámos a falar recentemente) depois de termos acabado e ter relações (outras que não sexuais) revela-se algo que me guiará (certamente) ao Júlio de Matos cá do sítio, que a título de curiosidade se chama Bohnice.
As aventuras e desventuras cá continuam; estive em Bruxelas na Youth Week (um evento onde se gasta rios de dinheiro inutilmente para se falar de combater a pobreza...) e depois do evento fiquei em casa de uma amiga. Cheguei, bebemos um vinho, falámos (não nos víamos há um ano), vimos um filme, e à hora de deitar diz-me ela: vou para a cama, se quiseres vir, melhor, porque não tenho de fazer a cama no sofá. Aqui um gajo pensa "yahuu, queca", mas há a segunda vertente: ela estava só preguiçosa de fazer a cama no sofá, e na cama dela cabiam dois sem se estarem a tocar. Esta segunda vertente esfumou-se quando me deitei ao lado dela e vi o olhar malandro. Senti-me violado, gostei.
Depois de voltar tive a visita de alguém que conhecia só virtualmente, Zane, Letona.
Toda a gente me dizia o mesmo: ela chega e salta-te em cima. Nunca acreditei nisso, porque neste ano em que trocámos correspondência, eu soube tudo dela (e ela de mim). Ora, ela apesar de 23 anos e atraente, era virgem. Era, porque o pessoal tinha razão: ela chegou e saltou-me em cima. Leva-me a crer que nunca irei perceber pessoas (se bem que nem a mim mesmo me percebo); uma rapariga bonita, virgem por opção, desconfiada, e cheia de tabus, chega e liberta-se por completo? Aqui está um fenómeno digno de atenção, terá sido distância do País e de toda a gente que a libertou? Uma decisão premeditada? Feromonas, ou o meu charme infalível? Nunca saberei, mas que foi catita, lá isso foi.
Depois veio o meu aniversário, em que ficou claro que fui desertado pela minha família, o que acaba pior ser um processo tão natural que nem me consigo preocupar, embora acumulado com outras coisas me tenha deprimido um pouco (paneleirices à parte). O meu aniversário foi a 21/11 o Pablo voltou para Espanha a 26/11, e deixou um vazio difícil de preencher.
Sobre o Natal e o Ano Novo escrevo já a seguir. Ou daqui a um ano.