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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Vida, vida....

Há tempos que ando para escrever... tanto para debitar, e tão pouco tempo para o fazer. Ou paciência.
Estive na Ucrânia! Nunca pensei que depois de levar com tanto Ucraniano ai na Tugolândia, me fosse encontrar na Ucrânia, mais concretamente em Lviv, e no sopé dos Cárpatos (se é que se pode chamar sopé quando aquela merda é uma cordilheira gigante...).
Estive numa "Visita de Viabilidade", uma espécie de reunião onde tentamos estabelecer um intercâmbio para o Verão.
Não começou muito bem, tinha o autocarro as 17 em Roztily (uma estação de metro), eram 16:55, estava eu em Kobylisi(outra estação, na outra ponta da cidade...) a perguntar onde era a estação de autocarros... A Polaca que trabalha comigo (que não me larga da pila...) à minha espera, até bufava, quando eu cheguei com 18 minutos de atraso e mesmo assim tinha o autocarro à minha espera, acho que a Polaca mostrou um ou dois mamilos ao condutor... Não falou comigo durante 7 horas (não foi assim tão mau), e a viagem era de 20h...
O aeroporto de Lviv... Pah só vendo não posso descrever a cena... mais ou menos do tamanho da estação de comboios de... Algueirão-Mem Martins. Irreal.
Lá fomos apanhando o pessoal a conta gotas, e essa parte correu bem.
Havia de tudo: um casal Moldavo que à noite tinha sempre a televisão aos berros (e adivinhem quem era o urso do quarto ao lado...), um par de Belgas (neerlandesas) arrogantes como as putas que as pariram(Melissa e Joke), um Catalão completamente alucinado(Damian), que veio com uma Húngara boa que até chateava(Zsuzsa), três Polacas, duas delas insuportáveis (Kasia, a que trabalha comigo, Misa e Ola), duas Ucranianas (Zory, que trabalhou comigo, sempre nervosa) e Alina, 17 anos, esteve nos EUA, com um humor fantástico, e Jovan, Macedónio, típico Sul-Europeu, o que é óptimo.
A cena la foi decorrendo, melhor ou pior, complicado foi aguentar as Belgas e as Polacas. As Belgas porque detinham todo o conhecimento(Joke ate fez SVE na Tuga...) e mais algum, as Polacas eram histéricas e Misa era chata nas horas.
A recordação mais forte que tenho da Ucrânia, são os copos de vodka seguidos de sumo de tomate, assim uma espécie de Bloody Mary as mijinhas.
Foi de manhã à noite, mas há uma coisa muito boa nisto, a vodka é de alta qualidade... não ficas bêbedo, tipo estúpido, ficas desinibido, e no dia a seguir... não há ressaca! Ai... que sonho.
Ficámos instalados num campo (de quê não sei) que era assim um conjunto de três casitas, com quartos e um restaurante. Tudo em madeira, estilo rústico (velho para caralho) e um frio insuportável.
No 3o dia, O padrasto e a mãe de Zory (que nos acompanharam o tempo todo, e apaixonaram-se por mim, ambos), chamaram-me à cozinha para, pela enésima vez, me oferecerem vodka. Desta vez com uma nuance: a senhora mais velha da cozinha, dirigiu-se a mim, e graças ao meu parco Checo, consegui perceber o essencial; o que ela disse foi: aqui tens as minhas filhas, a 1a, a 2a, e a 3a. Podes escolher uma, ela faz o passaporte e seguem para Portugal. Eu sorri, uma, sorri duas, e ao ver que não era assim tanto para rir, disse em Português "vou-me por no caralho" e em Checo:vou-me ausentar, e bazei. Parei em frente à porta de umas das casas, e estúpido que nem um calhau, olhei para a cozinha (que tinha um janelão) e la estavam as três a mirar-me... acrescente-se que eram as todas feeeeeeeeeeias que assustava. Se as visse de noite num beco escuro, dava-lhes tudo o que tinha antes de me perguntarem...
Lviv é interessante, e gostava de voltar na altura do projecto (Verão). Vi gajas de mini-saia com -5 graus... imagino o que (não) usam no Verão.... ihihihih
A ver se saco umas fotos...
No mercado de rua, o Damian comprou um casaco do antigo Ministério dos Académicos ou uma merda assim, e um chapéu mesmo a Yeltsin, farfalhudo e com o símbolo comunista.
Era -lo na rua, calcas de treino, ténis, casaco a militar, e chapéu a russo bêbado. O verdadeiro cromo. Se eu andasse assim em Praga, partiam-me as pernas com um taco de basebol...
Aconteceu ainda algo maravilhoso e que me trouxe lágrimas aos olhos.. Estávamos nós a começar uma reunião de preparação, quando Zory, ao fazer zapping descobre nada mais nada menos que o Dínamo Kyev vs Sporting a começar! Claro que disse que sim a tudo o que se disse na reunião, mesmo quando o Jovan disse "e pagamos a dois pretos para rebentar o cu ao Pedro".
3 a O! Ai.. Fez-me lembrar tardes e serões passados naquele aterro de vida chamado Casais de Mem Martins,a beber minis, a ver a bola e a falar de cenas que nem interessam ao menino Jesus.
A vinda para , depois de 3 horas na fronteira Ucraniana, e outras 3 na Polaca (um granda filho de uma grande sissima e alternadissima puta, que deve ter visto um episódio do CSI Cracóvia, decidiu varrer o autocarro de cima a baixo...), e 47000 horas de viagem cheguei a Praga, barbeei-me, tomei um duche, e fui direito pro escritório... e de seguida para a cozinha. explico.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Turbilhäo

Há quase um ano que estou neste país de gente doida (onde até me sinto bem colocado).
Nas passadas temporadas tem-se passado muito. Ou então sou eu que dramatizo...
Comecemos pela parte emocional: Depois de me ter aproximado (e apaixonado) por uma Francesa, e depois de ela me ter dito que gostava de mim e que estava confusa, e que sim senhora, gostava de mim, mandou-me um mail que, derivado de outros factores, me levou a ficar num estado um pouco depressivo. Como se muda isso? Bem, primeiro compra-se uns óculos novos com o seguro da AXA, os meus estavam velhos e riscados, e então trufas, vai buscar, toma lá uns óculos a filósofo, como diz a Filipa. Depois, fazes-te rodear de poucas pessoas, mas boas, e certificas-te que escolhes bem os dias e que te apetece mesmo fazer as cenas.
Para culminar, depois de um fim de semana em que te rebentas todo com vinho e Birls, vais a uma festa num cinema, em que, indo eles fechar para reconstrução, pedem ao pessoal que rebente com o stock de bebidas. Pá que não seja por isso....
Claro que se pagava, 500Kc, mas cá o Zé não. Ao chegar lá, quem estava a receber a guita era uma velha conhecida (vi-a uma vez e admiro-me que se lembre de mim, tal era o seu estado), que me fez sinal, a mim, à Krystyna, à sua amiga Polaca, e ao "namorado" Russo (granda mistela), dizendo:entrem entrem, é de borla... Chatice.
Chegámos, descobrimos o bar das bebidas apaneleiradas, e eu ponho-me a beber Tequila Sunrises com um gosto desmesurado. A Krystyna, que sendo Polaca, näo conhece muitas misturas, é mais na base das vodkas (puras, com sumo ou... leite), junta-se a mim. Passado 4 tequilas, eu vou ao grego, e ela começa a dançar no balcão, mais a amiga e uma ou duas gajas de lá. A loucura instala-se, e claro que para um gajo, quando a loucura se instala, só há uma coisa a fazer: tratar de fornicar quanto antes. Não falo de mim, mentes devassas, mas do pessoal que rodeava a Krystyna quando ela deixou de dançar, deve ter dado a ideia de que ia descer do balcão e saltar para cima do primeiro gajo que lhe aparecesse à frente e arrancar-lhe a roupa a dentada proferindo: possui-me, possui-me. Nada disso.
O que se passou foi que se ela chegou a mim, naquela do "finge lá um pouco que este gajo não me larga". E eu fingi, a cena é que o alcoól não ajuda e as as cenas foram-se tornando um pouco próximas demais... e conhecemo-nos vai para quase um ano.
Nada de grave se passou, chegou a hora e a malta com quem eu vim foi-se. Eu pensei cá para mim: foda-se esta merda vai fechar (e é um sítio onde passei algum tempo), isto está cheio de gajas, e há pitéu e bebida de borla. Casa? Naaaaaaaaa.
Nisto vem uma Checa (que eu tinha conhecido na mesma noite que conheci a 'porteira'), senta-se comigo, ah e coiso, fiquei tão contente de te ver chegar, e falei de ti às minhas amigas, e eu vi logo filme todo, estávamos aqui estávamos na casa de banho a dar cabo da sanita.
Mas ela acalmou-me a pássara, dizendo, ah tenho namorado, não quero que penses outras cenas.
Oh Foda-se... mas estava-se muito bem com ela, apresentou-me o pessoal que eu não conhecia, vinham todos falar comigo, muitos para falarem Checo comigo, estavam impressionados... ou bêbados.
Por volta das 4, o pessoal começa a bazar, e ela vem ter comigo, ah o povo está no ir e coiso........... e eu perguntei-lhe:queres ir dar uma volta? Ela: ya, o que levamos para beber? Fácil...
Lá damos a voltinha e fomos dar a uma rua que nenhum de nós conhecia, e sentámo-nos à porta de uma igreja. Frio como o caralho, sentados nas escadas de pedra... Há pessoal mesmo estúpido.
Paleio, mais paleio, e pimba ela salta-me em cima. Ah e o caralho, não posso, tenho namorado... Foda-se até parecia que estava a forca-la...
E passou o resto da noite nisto. Por vezes penso que sou demasiado porreiro, se não lhe deveria ter dito: oh pah, ou me agarras já aqui na gaita ou vai cada um para seu lado.
Hum, decisões...
Não o fiz e a noite acabou com o pequeno-almoço numa pastelaria, ao som de Cher, Prince, entre outros. Daí... direito para o escritório, no meu segundo dia de trabalho...
Nos entrementes, vi-a mais uma vez... e as coisas com a Krystyna tomaram um rumo estranho... mas nada mau.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Praga

Ora aqui vão umas fotes (ai fotes fotes).


Ora aqui, a entrada para o castelo, do lado sul
(cheio de grunhos)


Cross Club
(Se és queimado e estás em Praga, este é o sítio)





O Rio Vltava que divide a cidade em dois (ou mais)


O gajo que se chiba sempre que alguém rouba uma mala (ele foi por ali!)


Vista da rua da qual vens da paragem do metro para...


Aqui (Staroměstska Náměstí)


Vista


Cemitério Judeu (12 camadas de túmulos)
O Edifício Dançante
(Tančični Dúm)




O Teatro Nacional
(Narodní Divadlo)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Praga

Praga é, Senhoras e Senhores, do caralho. Uma cidade que apresenta programas para todos os gostos (como uma festa de Trance em que o flyer apresentava uma série de cagalhöes, numa espécie de laboratório), todos os dias, mas também uma cidade que dá que pensar.
Ora então, há um posto de trabalho no centro ( a que me recusarei peremptoriamente, prefiro borrar um pé de merda até ao pescoço), que é o de entregar panfletos ou o de segurar Menus.
Vamos lá ver se consigo explicar bem o quão estúpido acho isto.
No centro há eventos culturais (por motivos históricos, relacionados quase sempre com o Mozartio), e atentem nisto: Quem está a entregar os panfletos é um sócio "de cor" (se bem que o gajo é castanho), bem escuro (tanto para mim como, relativamente aos Praguenses, para o redor) com um chapéu enorme da cerveja Guiness!!! Eh pah, não me fodam que eu sou novo... Mesmo que eu estivesse interessado numa Ópera revivalista de sei lá quem, alguma vez um Guineense com um chapéu da Guiness é um bom augúrio? Minha nossa....
Não é tudo, ainda no centro (raios me partam, o centro turístico de Praga é uma merda), há um restaurante Italiano, e à porta desse restaurante, e quando digo à porta, é mesmo na puta da porta pois há um único caminho e ele está a tapá-lo. E quem é ele? É um sócio, de gabardina, com os sapatos todos fodidos. E de gorro.
Mensagem subliminar: Coma aqui e.... talvez fique. Para sempre.
Bem talvez alguém que leia isto pense "ai racista e o e tal", mas desenganem-se, é apenas falta de jeitinho...
Um gajo lá se vai rindo...

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Miudagem

No âmbito da preparação de um fim-de-semana, em que vou tentar organizar uma série de workshops circenses para orfäos (agora sou um bom samaritano, porra), fui a uma cidadezita chamada Vizovice.
5 horas de viagem na sexta à noite, mais 5 no sábado depois de almoço, muita coisa tratada, e uma puta de uma ressaca que nem abria os olhos.
Cheguei as 16h, e tinha um grupo de 20 pessoas à minha espera. Todos me conheciam de Šumperk, mas eu não reconheci ninguém...
Lá fomos de popó, para o meio do nada (pergunto-me porque é que estas cenas são todas no meio do nada), e lá já estavam 88 putos checos.
Não levei nada planeado para eles, então fui designado (porque era um fim de semana relativo a Emergências e Polícia), para explicar aos miúdos como funcionava a cena na Tugolândia.
Podia ter sido pior, até correu bem.
O meu checo não para de me surpreender, de verdade. Não sou gajo para me por a falar do sentido da vida, mas já consigo falar de futebol! Um passo em frente, embora ainda não consiga por gajas a rezar. Bem, tenho tempo.
De noite, quando todos os líderes se reuniram para a converseta, e onde eu apresentei a minha proposta para o fim de semana. Rapidamente chegámos a um consenso de onde se poderia fazer, as condições e tudo o mais.
Experimentei mais uma cerveja, (uma epopeia que näo conhecerá fim, esta a de experimentar novas cervejas na Checa) de nome Zubr (ihih), e depois da segunda, há um senhor, que nem era dos mais bem dispostos, saca de uma garrafa de rum especial daquela zona, e toca de servir shots até a garrafa vazar. Vazou, trocou, uma garrafa de Stará Mislycka (o nome está mal, aposto o meu colhäo esquerdo) pra carola, e passado dois shots, disse até amanha, vou-me deitar porque tenho medo de elefantes cor-de-rosa.
Deitei-me e o efeito helicóptero tomou conta de mim, aquele efeito em que fechas os olhos e só pensas que vais cair da cama, então tive de usar o velho truque de por uma pé no chão para melhor aderência a narssa. Acordei as 8h com a luz acesa, desci para o pequeno almoço e subi de novo. Não dava.
Depois de almoço, voltei para cima, e passado uma hora, fui apanhar o comboio, o gajo que me deu boleia foi o que me pregou a piela. Cabrão .
Queria dormir no comboio, estava todo mamado, e a viagem era de cinco loooongas horas.
Parámos dez minutos numa estação, Birls feito de foguete, chupa, chupa, trava, trava, e tá feito.
Nem assim dormi... ca filha da putice. Bem, a birls dado não se olha a pedra.
Chegado a Praga, ainda tinha cá a Sandrita, e a minha ex...
Não foi um fim de semana muito descansado, apenas salvo por uma ida ao cinema com a Avelã dos Cárpatos (gosto muito de fruta).
A sensação de se saber exactamente aquilo que a pessoa de quem gostas sente e a maneira como se comporta, tem duas vertentes: a de se sentirem conectados, e a de saberes o que se passa na cabeça dela, e a razão pela qual sabes o que ela sente (é o mesmo que eu sinto), leva-te a segunda vertente: a gaja não bate bem.
Vou para casa procurar as chaves de casa.