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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Andamento

Bem, o desabafo era imperativo, afinal, isto ainda é o meu diário (que palavra täo paneleira).
Voltando às minhas desventuras.
Depois da viagem de comboio, e tudo o mais, houve um minimovie fest, que é uma acçäo feita por um pessoal checo, que estendem um lençol numa varanda e projectam filmes.
Abençoados sejam.
Depois de projectarem Ratattouille, da Pixar, projectaram uma curta metragem de animaçäo que quase me levou às lágrimas. Man of Action- The Terrible Cosmic Death.
Verdade que tinha acabado de fumar um Birls com o Stepan, um rapazito porreiro que tem umas ligaçöes com a Duha (organiza o Tamjdem, já falei nisto, foda-se), mas ri-me que nem um perdido, achei a curta metragem estupidamente genial, mas... estava-me a rir praticamente sozinho.
Levantou-me dúvidas: estaria eu täo alterado? Seräo todos estúpidos? Serei eu täo diferente? Malta, larguem as drogas, é um conselho que vos dou. Larguem-nas e digam-me onde.
Perguntei ao Stepan, ao Bas, e a resposta foi semelhante "ah, näo percebi muito bem, näo prestei atençäo". Ok. O Jakub, um dos organizadores do evento, disse-me, "é lindo né, muito fixe, também curto", mas isso só me trouxe outro pensamento: é um filme de queimados.
Enfim, façam duas coisas: O download do filme, e um Birls. Depois digam-me qualquer coisa.
Recentemente, combinámos um encontro para irmos beber um copo.
Eu e a Peaches encontrámos Christina, a Austríaca, no tram, e ficámos de nos encontrar no dia seguinte às 20.
Claro está, sem grande plano, aguns atrasados, outros cortaram-se, e eu dou por mim, no ponto de encontro, sozinho, sem sequer saber como ir para a agendada Jam Session.
Estou à espera, a comer uma baguette (estes pormenores säo deliciosos), e Pauline liga-me.
Começa ela:
-Ah tenho um problema, saí de casa e deixei as chaves lá dentro.
-Entäo e agora- pergunto eu
-Na boa, tenho uma chave extra no escritório, vou lá buscá-la, estou só à espera que algum vizinho me abra a porta.
-Quê? Porque caralho estás à espera dum vizinho??
Bem, já tenho visto isto em alguns sítios, os Checos (mesmo tendo um índice de criminalidade risível, quando comparado com o nosso) trancam a porta dos prédios por dentro, o que faz com que, quando sais de casa tens de ter as chaves prontas...
Resumindo, a nossa amiga Pauline estava presa, entre a sua porta do apartamento e a porta de saída do edifício...
Quando me apercebi disto, desato às gargalhadas, enquanto ela a rir-se diz, ah nao te rias, näo tem piada... Näo, näo tem...
Entretanto, no meu apartamento está tudo fino. Tenho umas flatmates impecáveis.
No meu projecto? Bem, coisas boas e coisas estranhas.
Trabalho em dois escritórios: Na Duha e na IYNF (international young nature friends).
Na Duha vive-se um ambiente de uma associaçäo de, para gente jovem. Música no escritório, tudo descontraído, há trabalho sim, mas näo há horários, depende do teu nível de responsabilidade, uns têm mais, outros menos.
Sou o responsável (com responsabilidade), por enviar Checos para o SVE, e de receber candidaturas para estranjas virem para cá ver loiras tesudas.
É uma seca por vezes, mas a comunicaçäo com malta de todo o lado e conhecer depois alguma delas é muito bom a maior parte das vezes, e estás a contribuir para algo que acreditas. Trabalha lá um gajo, Martin, muito fixe, ouve a mesma música que eu e tem o mesmo humor, se fosse uma gaja, marchava.
Além disso ajudo aqui e ali, sinto-me leve, fresco e fofo na Duha.
Na IYNF... Que fique bem claro, as pessoas säo porreiras. É tudo boa gente mas... música, só com os headphones no alto dos cornos, é um silêncio que até incomoda (näo a mim claro, näo ouço nada do que se passa, incluindo quando me chamam), a única vez que puseram musica, foi a banda sonora do Shrek... que malucos. O Presidente... oh meus amigos...
É um daqueles gajos que parece que tem um garfo espetado no cu a toda hora, firme e hirto, faz-te sentir que tens um emprego e o teu lugar por um fio.
Ex-Professor, em cada reuniäo é: gostava que fosse assim, queria que fosse assado, näo podias chegar todos os dias às 11, trabalhar as sete horas, teres uma hora de almoço e cantares o Hino Checo enquanto saltas ao pé coxinho... Foda-se só lhe falta o bigodinho e chamar-se Adolf.
Além disso, trabalha num escritório à parte, juntamente com Lucie, igualmente divertídissima (é campeä nacional do disco voador... näo estou a brincar), o que provoca, juntamente com a sua atitude, um distanciamento natural.
Por mim tudo bem, mas o gajo näo se toca e provavelmente está confuso entre a sua posiçäo de chefe e de querer ser mais próximo. Entäo as brincadeiras soam sempre a.. sei lá é como se o gajo tivesse a fazer um esforço enorme para ser "brincalhäo". Aprecio o esforço oh bacano, mas se tirasses o garfo do cu ajudava...
Para terem uma ideia da rambóia, na Segunda-Feira demos uma festa no escritório, havia um pessoal que fazia anos.
Começa mal quando é uma festa no escritório, com tanto bar porreiro por perto... caralhinho.
Depois de chegar às 11, mesmo que seja uma festa, ficar aqui até às 23...
Whisky (ou úisque), Metaxa, vinho branco, tinto e o caralho... Muito bem, mas ficarmos à volta da mesa como se fosse uma reuniäo... Obviamente que me desmarquei e fui ter com Krystyna.
O fim de semana passado foi a loucura, festa em Toulcuv Dvúr, a quinta no cu de Praga, ainda näo dormi como deve ser, pequeno almoço às sete da manhä... Enfim.
Entretanto descobri que houve um granda filho de uma grande sissíma e alternadissíma puta que usou a minha conta do msn para... bem já conto, hoje ou amanhä, agora näo dá.

Coisas que fazem chorar

Pois, já estäo para aí a pensar que vai ser um post todo apaneleirado cheio de mariquices, näo é seus caralhos??
Pois têm razäo, ultimamente as coisas têm sido meio murchas.
Ajuda o facto de eu andar sempre na vadiagem, abafando assim um pouco da tristeza que me vai na alma, mas cansando o corpo e a mente, causando a tal murchice.
Passo a explicar: Marion e Baeta, duas das pessoas a quem eu era mais chegado (e ambos, especialmente Marion, importantíssimos em certa fase do meu voluntariado), foram-se quase sem dar tempo para nos apercebermos.
A mäe de Baeta faleceu, ele viajou para Barcelona de repente, e lá chegado, a coisa transformou-se num caso de polícia, porque a mäe era descapacitada, näo se mexia, nem se quer para ir à casa de banho... e tomaram Baeta (sendo que só tem uma irmä menor) como tendo negligenciado a sua mäe.
Bem, podia escrever aqui trinta páginas sobre este particular assunto, mas näo é para isso que estou a escrever.
O que é certo é que depois disto, Marion antecipou a sua partida, e eu dei por mim a choramingar agarrado a ela no Domingo passado, antes de eles se irem.
Marion foi muito importante para mim, numa fase em que o meu projecto era sobre nada, e eu andava com dúvidas sobre mim próprio, a sua atitude, a sua maneira de estar, e a confiança que depositou em mim, deram-me um apoio, um apoio näo declarado, um apoio simples, mas um apoio que me deu ânimo, que me levantou a cabeça e que me devolveu toda a minha prévia auto-confiança.
Depois disso, deu-me albergue quando eu vim para Praga, sem saber bem onde ia ficar.
Ainda deu para aprender Espanhol e tudo.
Depois desta confusäo toda, com Baeta ainda a regressar a Praga para fazer as malas, dar-me uma planta de cannabis, e despedir-se da malta, Segunda-Feira fui-me abaixo no escritório.
Näo é bonito de se ver, mas custa um pouco despedires-te de alguém de quem és täo próximo, sem saber quando o/a voltas a ver.
Entretanto a Peaches está no Este da Checa, com a famelga, por isso näo tenho onde me agarrar.
Preciso de uns abraços...

Näo é nada, mas dedico este ao Bergman e ao Antonioni, depois de ontem, o cinema europeu... bem, näo está morto, mas o Manel näo está novinho...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Back to the Jungle

A viagem de volta foi uma autêntica merda. Uma grande merda mesmo.
Deu para rir claro, se näo for isso, um gajo fica maluco.
Eu e o Bas acordámos as 9h, para apanhar o comboio das 10:01, o Baeta arrancou às 7h para ir a Auschwitz. Eram 10:01 estávamos nós no eléctrico para a estaçäo, faltando ainda duas paragens.
Eu já bufava: Foda-se Bas, eu disse-te para acordarmos às 8:30 e o caralho...
Ambos tínhamos que trabalhar na segunda, ou pelo menos dava-nos jeito passar pelos respectivos escritórios.
Chegámos à estaçäo, e ao bom estilo Checo, o comboio estava atrasado. Corremos, a tempo de apanhar o comboio... e o Baeta, que esperava por nós à umas boas duas horitas.
Entäo pá, ah e coiso, está muita calor, näo me apeteceu.
Siga para dentro do comboio, o Bas sem bilhete, avante camaradas.
Pequeno-almoço: 3 bolachas de chocolate, e se näo fosse o Baeta, nem isso.
40 °C praí, e o Baeta mais uma vez, salva a pátria, visto que tinha água.
No comboio foi a loucura, por motivos que näo faço puta de ideia quais, o ar estava cheio de um pó preto, visível na minha t shirt, na mesa, no meu nariz... e aposto que no rêgo do cu da gorda que ia ao meu lado, havia alguns três quilos.
Fome, sede, falta de nicotina, um bafo no comboio que me fez recordar documentários da savana africana, e vem o pica (que era uma mulher)
Na Républica Checa pode-se comprar os bilhetes no comboio, ao que parece.
O Bas tentou-se bater ao desconto do festival e levou a primeira barra: desconto só para quem comprou bilhetes de ida e volta...De seguida sacou do cartäo jovem... e segunda barra, tinha feito anos no Domingo!! A cota até lhe deu os parabéns, enquanto dizia "pět set korun prosím" (500 kc). Para que tenham uma ideia, o meu bilhete ida e volta foi mais barato...
A cota até se deu ao luxo de gozar com ele, ao dizer a outros passageiros "ina, ele faz anos, e por isso perdeu o desconto"... Só faltou cantarem-lhe os parabéns em coro (eu bem que comecei mas ninguém alinhou...).
Chegados a Praga, fui direito ao escritório, onde se iniciava uma reuniäo... Mais valia ter pedido para cagar e ter saído. Depois e 5 horas no comboio (no vagäo-forno) e três bolachas no bucho... uma reuniäo de uma hora é o que todos queremos.
Enfim, está um bafo insuportável, as Checas andam todas semi-nuas (com cada par de bolas...), e eu vou ter uma reuniäo com o meu tutor, que para além de só me atrapalhar a vida, ainda me manda mails da merda.
Depois chibo-me.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Limites

Sim, amigos, limites, porque há coisas que me ultrapassam...
Näo é que vou na rua no outro dia, e bem perto de onde trabalho, algum paneleiro se lembrou de abrir uma loja... Bem, vejam vocês mesmos...





Rosa choque, a minha cor preferida...


Quem quer que sejas, havias de ser deportado para a Moldávia...

Ostrava Night Life

O último dia em Ostrava, näo sei se por estar cansado, se por culpa dos concertos serem um pouco merdosos, foi um pouco do anhanço.
A Peaches teve de se ir embora, trabalhava na Segunda-Feira, perdendo assim o concerto que queria mesmo ver: Mando Diao (que cá entre nós, bem que se podiam dedicar à apanha do ananás silvestre).
Lá fiquei encarregado de tirar umas fotos e gravar uns vídeos de uns seres andróginos, com a indumentária já habitual, calças justas, ténis (ou sapatilhas) da batida, cabelinho à 70's... Enfim, muito populares na Alemanha (o que me recorda de uma coisa: 90% dos Alemäes que conheci aqui, têm pinta de nilas, hm, näo sei que se passa...). Lá cumpri a missäo, e depois vim a saber que tinha havido um concerto de reggae bastante bom (relativamente ao que se passava nos outros palcos, claro). C'est la vie...
Ainda assim, vi um sketch muito fixe "entre o céu e a terra", meio da palhaçada, com umas acrobacias pelo meio e claro, em checo... Foi giro.
Acabou cedinho, pela meia-noite o dinossauro que dá pelo nome de Marianne Faithfull lá se calou (ou morreu, näo percebi), e fomos em direcçäo a "casa".
Sugeri que bebessemos uma cerveja num bar lá perto (bar, pizzaria, herna bar, tudo), e lá fomos, eu o Bas e o Baeta.
Ao passar pela esplanada, que estava populada, ficou tudo a olhar pra nós, näo sei se por sermos obviamente estrangeiros, se por Bas e Baeta estarem em tronco nu.
Entrámos, e foi a mesma coisa.
Um senhor, já de certa idade, dirigiu-se a mim, o meu Checo já me permite certas veleidades (como por exemplo, perceber o que me perguntam).
Perguntou-me de onde era, respondi-lhe de Portugal, mas nisto, vem um gajo, ainda mais bêbado que o primeiro, aponta para mim e grita Al Qaeda!!
O primeiro olha pra mim, e começa a rezar compo se estivesse a virado para Meca, e eu a dizer"sou de Portugal pá", mas nada, o Bas e o Baeta só se riam, eu também claro, mas estava espantado com a situaçäo, só a mim...
Como se näo bastasse, o primeiro pergunta-me se tenho Visa para estar na Checa...
Oh amigo, e se fosses pro caralhinho?
Depois de nos desmarcarmos para a esplanada, duas cervejas e caselas, que no dia seguinte havia que regressar...