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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Folk Eslovaco

Ficámos ainda meia hora a anhar na estaçäo, porque Magdalena recebeu uma chamada de uma amiga que tinha deixado o marido e.. já estäo a ver o filme.
Saí da estaçäo a pensar cá para mim: bem nunca tive nesta estaçäo, deixa-me ver como é este lado da cidade.
Havia umas obras gigantescas mesmo em frente à estaçäo, depois de ver o rêgo do cu de um dos trolhas, achei que este lado da cidade nem era assim muito giro.
Lá acabou o telefonema, ainda tive de ir a viagem toda a levar com a história de um casal que casou porque sim, e agora têm problemas, e estando ela grávida é um granda pincel...
Há aquele truque fabuloso, de manteres uma expressäo convincente, enquanto concordas com tudo o que te é dito, e quando sentes uma mudança no tom de voz, invariavelmente dizes: claro, sim sim ou porra que otário/a. Nunca falha. Se te pedirem a opiniäo, sorris e dizes: quem sou eu...
Adiante, que eu nem devia ensinar estas coisas, agora tudo quanto é gajo com namoradas chatas vai levar um bloco de notas com isto escrito para o pé delas.
Chegámos perto das 16h ao Teatro Nacional de Bratislava.
Eu estava completamente perdido, e depois de ver a familia dela com um casal, e todos vestidos com as roupas que cheiram a naftalina, perguntei-me que fazia ali eu.
Uma confusäo do caraças, parece que näo estavam a contar com alguém (adivinhem quem...) e eu olhava para um lado, olhava para o outro, e só via velhas com a cara toda borrada, näo cheguei a perceber se era maquilhagem ou se faziam parte do espectáculo, e os senhores com os fatos que usaram no seu primeiro funeral.
Lá se arranjou bilhetes para toda a gente, loucura, näo consegui conter os gases de contentamento.
Fomos ao bengaleiro por os quilos de roupa que tínhamos na mäo, e lá estava um jovem todo simpático, cuja cabeça aparentava ter sido lambida por um camelo.
Subimos uns 3 andares, tínhamos bilhetes para o balcäo lateral, e foi com uma grande surpresa que vi uma jovem daquelas muita malucas, com uns pins dos Nirvana e o catano.
Ou estava com a mäe (ou avó), ou estava à procura do Burger King, ou gostava do que se ia passar.
Registe-se que eu ainda näo sabia que raio se ia passar.
Lá nos sentámos, levanta-se a cortina no palco, e acontece uma projecçäo de um filme com um velho a falar.
Porra, pensei eu, näo me fodam, isto está cheio para ver um documentário??
Assim sendo, eu estava completamente encavado até ao osso.
Decidi perguntar a Magdalena que raio é que se ia passar.
Era uma homenagem ao fundador de um dos maiores grupos de Folk da Eslováquia (näo me recordo do nome), comemorava hoje o seu 80° aniversário.
Tá bom.
Passado perto de duas horas, retirei uma liçäo daquela sessäo.
Os preconceitos e pré-conceitos podem-nos retirar experiências únicas.
Durante essas quase duas horas vi gajos aos saltos que nem uns malucos, fazendo-me recordar as danças das Tunas (coincidência? quiçá...), crianças a dançar as danças tradicionais das montanhas, das pessoas que lá vivem, cada povoaçäo com a sua indumentária particular, instrumentos que nunca tinha visto, um tango preparado pelo maior coreógrafo da Eslováquia, uns muito virtuosos tocadores de violino, com aquele compasso típico de festa, e raparigas, maquilhadas para o efeito, que cantavam histórias sobre alcoól, rapazes, e toda a gente na sala ria.
Eu ria por contágio claro...
No final, o homenageado subiu ao palco. Sentia-se uma atmosfera de apreço por aquele velhote de 80 anos, que ainda deu uns passitos de dança e cantou (embora näo abrisse muito a boca, talvez devido à placa), com uma lágrima, perceptivel de onde eu estava sentado.
Foi muito bonito de se ver.
Depois desta coisa toda, ligámos ao Jürgen, eu ia-me embora no dia seguinte, e gostava de o rever.
Ia para uma espécie de palestra... que freak.
Demos uma volta pela cidade, sentámo-nos num bar com música para adormecer, e issso fez com que fôssemos para casa a horas parvas.
Foi comer, banho, e dormir.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Viena

Na manhä de domingo, fomos a Viena.
Acordámos cedo, preparámo-nos, e arrancámos à pressa, porque para näo variar, tínhamos de correr.
Conseguimos apanhar o autocarro para o centro e de lá, apanhámos o autocarro para Viena.
Mais uma vez, fiquei espantado com o preço da viagem. Bratislava-Viena : 6 euros.
A viagem foi surpreendentemente rápida, e daí talvez näo, apenas fosse ignorância da minha parte, até porque as cidades näo distam assim tanto uma da outra.
Na fronteira há um campo eólico vasto, que é assim uma espécie de um espaço gigante cheio de ventoinhas enormes, daquelas que há nas tascas para afastar o cheiro a tabaco e do hálito a vinho dos senhores de idade.
Ventoinhas essas que podiam ser compradas por qualquer cidadäo, e geridas pelos mesmos. Catita.
Na fronteira com a Áustria, parámos, mas näo houve nenhum controle de passaporte ou algo do género.
Talvez fosse por irmos apenas 3 pessoas no autocarro...
Magdalena já tinha morado em Viena uns 3 meses, assim que chegámos ela soube logo onde era a estaçäo de metro, embora tivesse admitido que näo lhe era muito difícil perder-se.
Nunca tinha lá chegado sozinho, a estaçäo de metro é uma confusäo do caraças, a entrada é uma porta comum, que tanto quanto sei podia ser da Corporacion Dermoestetica, näo vi a porra de sinal nenhum que me desse a indicaçäo de que me estava a dirigir ao metro.
Mesmo quando estava com a focinheira defronte das escadas de acesso, me custou assimilar que estava prestes a apanhá-lo.
Antes de entrarmos nas escadas havia umas bilheteiras automáticas. Magdalena vacilou e olhou para mim como quem pergunta: burlamos ou näo burlamos?
Perguntei-lhe como era a situaçäo aqui na Áustria em termos de burla.
Responde ela: ah sabes, país organizado...
Consulltei os preços, os bilhetes de 24h custavam 5 euros cada um.
Lá a convenci de que se calhar era melhor pagarmos e pronto.
Ela inseriu uma nota de 50 euros na máquina e a máquina cuspiu-a. Só aceitava, no máximo, de 10. Ok, convenceu-nos, sem falarmos sequer, cagámos para a máquina e fomos para o metro sem bilhete.
Saímos no centro, numa estaçäo de metro (esqueçam lá isso de nomes) com umas galerias subterrâneas brutais, visíveis através de umas janelas enormes.
Assim que subimos as escadas de acesso à saída, fiquei estarrecido. Uma igreja colossal prostrava-se mesmo à saída do metro. Gigante mesmo.
Depois da foto da praxe, entrámos para a igreja. Como esperado, lindíssima, cheia de ouro (ah, ajudem os pobres e o camandro... foda-se, é preciso ter lata.), imponente.
Vi uma coisa que me provocou um riso que tive de conter para nao se transformar em gargalhada. Nem foto tirei, o respeito é bonito.
No meio daquela arte toda, da arquitectura pipi e mais essas coisas todas, havia umas máquinetas de informaçöes todas xpto/twilight zone.
Já näo bastava o choque entre as máquinas e a arquitectura da igreja, ainda tinha de se espetar com 1 euro para a máquina dar a informaçäo!
Já me estava a ver a perguntar como se rezava um Pai Nosso e ela responder: "Pai Nosso que estás no céu... favor inserir mais 1 euro para o resto."Näo brinquemos, que ridículo...
Igreja vista, fomos dar uma volta, havia um sítio específico que ela conhecia, chegar lá é que estava escasso.
Viena é uma cidade... megalómana, talvez seja o adjectivo mais apropriado. É tudo grande, gigante, imponente, bem conservado e lindo, muito lindo mesmo.
Praças brutais, com estátuas de Deuses, semi-Deuses e tudo o mais. Fomos em direcçäo à antiga moradia dos Habsburg, uns reis muita malucos, que construíram a moradia porque a mulher Madalena, penso eu, teve 16 filhos... Porra também näo era preciso aquilo tudo...
O que é certo é que é um edifício brutalmente brutal. Ficava estarrecido de 3 em 3 segundos, com os edifícios que se deparavam à minha frente.
Depois de atravessar a moradia desses fornicadores desregrados, através de uma abóbada, entrámos noutra praça, essa ainda maior, e com dois edifícios enormes, e gémeos.
Que cidade brutal... Um edifício é agora um museu de arte, com uma colecçäo de arte que pertenceu à (pelos vistos enorme) dinastia Habsburg. No edifício em frente, igual em tudo excepto numas estátuas, está agora um museu de história natural.
Viena é uma cidade com um vento terrível, aquele a que nós tugas chamamos de "vento filha da puta". Devido às montanhas que acumulam o vento, e ao Danúbio que trata de o trazer até Viena. Com o friozito que estva... Ui ca bom.
Continuando, passámos pelo parlamento, outro mega-ultra edifício gigante...
Lindo mesmo.
Ah e o cabräo só escreve nem mete fotos.... calma malandragem, elas viräo.
Os Austríacos säo um povo que respira saúde. Viena é das cidades mais ecológicas da Europa, aliás, a Áustria é dos países, senäo o país mais ecológico da Europa.
Domingo de manhä, é vê-los em peso no ringue de patinagem no gelo, com os filhos, montes de gente, muito bonito de se ver.
Prosseguimos a nossa caminhada, até passarmos por uma catedral gótica, dedicada a Sto Esteväo, que devia ser um Santo do caraças, a catedral é mesmo... Viena.
Ainda tínhamos umas horas até regressar a Bratislava, tinhamos de lá estar às 16h para assistir a um concerto, segundo Magdalena.
A propósito, Magdalena é uma óptima guia, além de arranhar Alemäo, sabia todos os estilos arquitectónicos, estudou-os e conseguia identificá-los, dava muito jeito tê-la por perto.
Decidimos metermo-nos num eléctrico e andar por Viena à parva, mais que näo fosse porque estava mais quentinho lá dentro.
No eléctrico cheirava a cadáveres em decomposiçäo, perguntei-me se näo seria melhor rapar frio.
Saímos numa paragem que Magdalena escolheu, queria-me mostrar uma fábrica, cujo edifício tinha sido remodelado com materiais reaproveitados. Que fábrica mais marada. Azul, com uma espécie de disco voador no topo, com uns desenhos abstractos aqui e ali. Loucura.
Tinha chegado a hora de voltar para Bratislava. Tinhamos de encontrar a estaçäo de Sudbanhoff. Fomos consultar o mapa que estava numa estaçäo de comboios ali perto, mas ao lá chegar, constatámos que näo havia o típico sinal "você está aqui", o que para quem näo sabia onde estava, era um grande pincel. Sim, Magdalena estava täo perdida quanto eu.
Decidimos ir perguntar dentro da estaçäo. Ela foi falar com um senhor já bêbado, eu preferi entrar no café onde ele se tinha embebedado.
A senhora do café falava Inglês, explicou-me mais ou menos como chegar à estaçäo.
Depois de conferenciar com Magdalena, soubemos que tinhamos a mesma informaçäo. Porreiro.
Fomos em direcçäo à paragem de eléctricos que nos tinham indicado, e eu resolvi perguntar de novo, escolhi cuidadosamente a vitima, um jovem que tinha pinta de quem falava Inglês. Abordei-o, e o gajo: ah, vais ali, apanhas aquele comboio, depois sais e apanhas o eléctrico...
Ih oh bacano... Vai lá vai.
Magdalena vem ter comigo aos saltos, ai que bom é só apanhar aqui o eléctrico.
Mau... Fui ter com o jovem Austríaco e disse-lhe: eh pá, näo me vais levar a mal, mas a minha amiga recebeu a informaçäo de que é só apanhar aqui o metro...
Ele (consultando o percurso): eish pois é, desculpa lá.
Cabräo....
Esperámos pelo eléctrico, e foi uma viagem de, sem exagero, meia hora, já estava farto...
Chegados finalmente à estaçäo, ainda houve tempo para beber um café.
Pedi um expresso, todo contente, e veio um expresso sim, mas parecia água onde alguém tinha lavado os pés.
Paguei a módica quantia de 1,90 euros pela merda de um café... Fantástico.
A viagem foi normalíssima, chegados a Bratislava, no controlo de identificaçäo, estava uma gaja de saltos altos, completamente aos esses, gorda que nem um texugo, nem conseguia mostrar a identificaçäo. Provou que näo é preciso dois gajos falarem a mesma língua para se rirem do mesmo. O humor näo tem cultura, cor, credo, raça... oh que merda de conversa.

Bratislava (fotos)

Loucura: a loira lá aprendeu a mexer no computador e já tenho algumas fotos que tirei em Bratislava. Näo säo muitas, mas com um pouco de jeitinho... haverá mais.



Isto, é o tal homem a sair da sarjeta. Motivo? Näo faço a mínima ideia, a explicaçäo que tive de Magdalena foi a de que, como eles näo têm história, toca de meter umas estátuas de modo aleatório na cidade, um dia, algum historiador falará nelas. Tem de se começar por algum lado, acho...


A vista do parque pertencente ao castelo. Só porque achei piada à torre....


Esta foi tirada antes de chegar ao castelo.. Chamam a esta ponte "Ponte OVNI". Hum.. pergunto-me porquê...


O rio Danúbio. Näo deixa de ser engraçado, ouvir e aprender tanto sobre o 2° maior rio da Europa (depois do Vouga, ah, é o Volga, bolas), e depois estar a tirar-lhe fotos. Paneleirices.
Com um pouco de sorte (e engenho de Magdalena) viräo mais.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Bratislava (tarde)

Antes de sair de casa, tive o que se pode chamar um choque cultural.
Tinha comido um mega pequeno almoço, mas com o tempo todo que ficámos em casa, o estômago lá arranjou espaço para a sopa de couve lombarda e enchidos que a D. Helena preparou.
Sentei-me à mesa, comecei a comer, e o Sr. Miroslav (um gajo devia poder escrever D. Miroslav...) fez-me sinal para esperar.
Vai ao frigorífico, tira o pacote de leite, e cá vai disto para a sopa.
"Está acida" diz ele... Porra, mete-lhe açucar!
Lá pus na minha e näo é assim täo mau quanto isso. Quanto aos efeitos de explosäo no estômago que saem pelo recto é que näo há nada a fazer, e como diz o meu amigo André Soares, "näo sejas täo etnocentrado". Tenho de ir ver ao dicionário o que ando a ser...
Lá saímos de casa rumo ao centro de Bratislava, e a meio caminho, Magdalena profere a frase que viria a ser cliché neste fim-de-semana: temos de correr.
Saímos sempre de casa à conta para o autocarro... gajas.
Apanhámos o autocarro, mais uma vez sem o pagar, e saímos perto do rio Danúbio.
A meu pedido, fomos até ao castelo (haverá fotos... assim que ela se lembrar de me mandar...).
A caminho do castelo, passámos por uma casa abandonada, e ela lá se lembrou de irmos ver o que se passava lá dentro.
Ainda lhe perguntei se tinha tomado a medicaçäo mas de nada valeu...
Descemos por um caminho, e havia umas escadas cheias de lixo com um portäo arrombado. Convidativo...
Chegados à entrada desse portäo, e assim que pus um pé dentro da casa, ouvi dois estoiros lá dentro. Ala que se faz tarde, nem quis saber o que era. Esta gaja é mas é doida.
Passámos pelo Parlamento, um edifício esquálido, com uma estátua em homenagem a um homem, do qual näo sei nada, apenas que foi assassinado pelos Checos. Malandros...
Fomos em direcçäo ao Castelo, e a vista sobre o Danúbio era brutal.
Via-se as montanhas de Viena com alguma neve e o maior bloco de apartamentos de Europa.
Uma coisa gigante, faz a Tapada das Mercês parecer um condominio fechado.
Ao que parece, Bratislava näo tinha pessoas suficientes para ser capital. Entäo os comunistas resolveram a situaçäo, criando o maior receptor e passador de droga ali da zona. Tá bom.
Chegados ao castelo, resolvi tirar uma foto do castelo todo.
O único lugar bom para isso, era um "planalto", cuja rampa de acesso estava vedada com uma corrente. Como näo falo Eslovaco, näo percebo o que quer dizer uma corrente Eslovaca, e lá fui eu. Atrás de mim vieram mais 5 turistas. Sempre a quebrar barreiras...
Foto aqui, foto ali, muito giro, vamos embora. Descemos pelo outro lado, näo sem antes nos determos contemplar a vista sobre Bratislava.
A cidade näo tem uma arquitectura regular, aparentemente, näo há ninguem responsável pelo pelouro da arquitectura na Câmara, entäo constrói-se a bel-prazer. Dá um toque original à cidade...
Fomos andando, em amena cavaqueira.
Como já devem ter percebido, Magdalena é muito... espontânea.
Às tantas, sem eu me dar conta, está falar da gaita de um ex-namorado Russo:
Tive um ex-namorado Russo que tinha o pénis täo grande, que ás vezes até me custava andar... estás-te a rir do quê??
Foda-se, do que é que eu me havia de estar a rir??
A naturalidade com que ela disse isto foi algo que me chocou, quase corei...
Tinha assim umas saídas engraçadas.
A meio caminho, vi um portäo lindíssimo, näo ia dar a lado nenhum, era só um portäo com uma parede por trás, mas o centro do portäo em ferro trabalhado era um coraçäo.
Uma espécie de "preso pelo amor". Muito louco.
Demos uma volta pelo centro, (as fotos... enfim, viräo), e fomos a um bar que ela gostava muito.
Um sítio muito agradável, gostei muito, tinha um ambiente marroquino, cheio de cachimbos (Birls...) por toda a parte.
Acabámos por ficar lá tempo demais, quando saímos já era escuro, e bem que escurece às 17 ou até antes.
Passeámos mais um pouco pelo centro, e vi umas estátuas no mínimo curiosas.
Uma era a de um homem a espreitar numa esquina, com uma máquina fotográfica que tinha uma objectiova maior que a sarda do ex-namorado dela.
A outra era de meio-corpo, um homem a sair do esgoto. Pergunto eu: Porquê?
E ela: ah como nós näo temos história, inventamos.

Esclarecido. Näo se trata bem de näo ter história, mas os Eslovacos näo têm o patriotismo que têm os Checos, e se pensarmos que que as naçöes se separaram há apenas 13 anos, näo deixa de ser estranho.
Os "Eslovacos" foram ocupados pelos Húngaros na I Guerra Mundial (foda-se é só a mim que este nome mete nojo??), pelos alemäes na II, depois tiveram o regime comunista, ainda uns problemas com a Ucrânia, e "acoplados" pelos Checos.
Têm história, claro, as dos reis e o catano,mas têm muito aquela ideia que säo inúteis enquanto que os Checos säo uma espécie de Americanos da Europa, patrióticos, e um pouco a cagar para os outros. Se perguntarem a um Checo o porquê de näo serem hospitaleiros, eles respondem que säo patrióticos. O que é certo é que fui muito melhor recebido na Eslováquia, que na Rep. Checa.
Leva-me a pensar que "patriótico" é o antónimo de "hospitaleiro".
Ou entäo fui eu que tive azar. Adiante.

O centro de Bratislava é muito bonito, um sítio sem aquela beleza de Praga, mas muito agradável, até porque Praga está demasiado direccionada para o turismo. Demasiado.
Bratislava é uma cidade relativamente pequena, os pontos de interesse säo facilmente "visitáveis" numa tarde.
Fomos até ao centro comercial descansar um pouco, tinha levado botas devido ao tempo, e nunca antes tinha usado botas na vida, sem ser este Inverno, abomino botas, e como tal, estava cansado de as carregar para todo o lado.
O centro comercial tem cinemas, bowling, e uma sauna gigantesca, demasiado cara para o meu bolso.
Lá ficámos a anhar à grande, até decidirmos ir ver o Borat ao cinema.
Ver o Borat com legendas Eslovacas... caguei-me a rir.
Depois disso, ficou agendado um "baile" perto de casa dela, mas era só à meia-noite, por isso fomos para casa fazer tempo.
Passado um bocado, pergunta ela assim: tens alguma camisa branca?
Responta pronta depois de levantar a sobrancelha esquerda: foda-se deves pensar que trago aqui a farda de pinguim näo??
Tenho ums calças pretas e já é muita bom...
Um pouco mais tarde... Diz ela:
Estou um pouco cansada...
Ok, näo vamos, näo é assim täo importante quanto isso...
Verdade seja dita que estava todo rebentado das voltas, por isso nem me importei de me deitar cedo, até porque no dia a seguir íamos a Viena...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Bratislava (manhä)

Devido ao meu (nojento) relógio biológico, acordei às 8:30 da manhä, ainda bêbado, o que é uma sensaçäo deveras merdosa.
Fui lavar a cara com água fria, mas sem resultados práticos.
Sentei-me ao computador a ouvir música e a mandar um mail matinal, e por lá fiquei até ás 10:30, altura em que fui tomar banho.
O irmäo de Magdalena, Pavol, também dormia no andar de cima, e ao sair do quarto dei de caras com ele.
Pavol toca piano e címbalo. Larilas, portanto.
Muito prestável, perguntou se precisava de algo, e se fosse caso disso, para näo hesitar em pedir.
Achei que era um convite para me esfregar as costas...
Recusei amavalmente, mas depois lembrei-me que näo tinha trazido toalha, o que näo é uma situaçäo que me deixe confortável.
Voltando atrás na recusa, pedi-lhe uma toalha.
Ele todo atrapalhado, näo sabia que toalha me havia de dar, e foi perguntar à mäe.
A mäe já tinha posto uma toalha no meu quarto... que doçura de senhora.
Pavol teve a amabilidade de me indicar que havia um interruptor, no caso de a água ficar muito fria. Indicou-me ainda um armário com escovas, caso fosse necessário, visto que eu tinha um cabelo "muito longo" (Pavol dixit). Sai dessa...
Tomei o duche e desci para ver se acalmava o ronco no estômago.
Estavam umas visitas na cozinha, por isso hesitei antes de abrir a porta, mas D. Helena reparou e chamou-me. Lá entrei, sentei-me e fui apresentado a um casal amigo da família, näo me recordo dos nomes, e o seu neto.
Falavam ambos Inglês, e houve uma sessäo de paleio, onde fiquei a saber que a senhora era directora da D. Helena, o marido trabalhava em Viena, e o neto era arraçado de Búlgaro.
Comida é que nem vê-la, e embora estivesse a morrer de fome, obvimente que näo me manifestei.
Nisto, o pai de Magdalena oferece-me slivovica...
Ainda nem sequer tinha recuperado da cadela de ontem, já o simpático senhor me espetava com um copito à frente.
Recusei o mais peremptoriamente possível, ou seja, ne ne ne ne ne dekujiu (näo näo näo... obrigado). Qual quê... Nazdraví (saúde) e bota abaixo.
Quando ele se prepara para me encher de novo o copo, eu viro-me para D. Helena, em pânico, e digo-lhe que ontem tinha chegado a casa bêbado e para, por favor, que o dissesse ao marido, agradeço muito, mas vou cair redondo.
Diz ela: é para limpar...
Siga lá vai o segundo goela abaixo. O senhor que estava lá como visita, dá-me para a mäo um copo com um liquido meio amarelado, gaseificado.
Pensei: oh foda-se, que é isto agora?
Perguntei o que era, e ele diz-me "bebe".
Bebo a ponta... Insisto, e diz a mulher, confia que näo tem alcoól...
Lá alinhei na palhaçada.. e era vinho, mas sem alcoól!
Qual é a piada de se fazer vinho sem alcoól?? Enfim...
Entretanto, entra Magdalena, junta-se à malta fixe, e pergunta-me se já comi.
Disse que näo, e ela levantou-se e foi tratar disso.
Tirou o päo, o queijo, os pickles (uma especie de mini-pepinos gordos, fiquei fä), o fiambre,um iogurte, uma maçä... porra, näo estava a morrer de fome.
Entra Pavol, e dis-me assim: bem, do que é que gostas?
O gajo estava a aprontar-se para me preparar o pequeno almoço enquanto eu ficava ali sentado!
É demais, sério... Levantei-me, e disse: Pavol, agradeço-te, a sério que sim, mas sei fazer sandes.
Enquanto falava com ele, e ele comigo, Magdalena preparou-me uma sandes do tamanho de uma pizza calzone, uma maçä cortada em quartos, e um pudim de chocolate.
Säo excessivamente hospitaleiros estes Eslovacos...
Era suposto irmos a Viena neste dia,mas já eram perto da uma, era um desperdicio de tempo ir lá, näo íamos ver nada de jeito.
Lá decidimos dar uma volta em Bratislava, eu näo conhecia a cidade e tinha muito mais lógica.
Lá nos fomos aprontando para sair, sem pressas, quando eu olho pela janela e constato que neva, e näo só neva, com está um vento do caraças.
Desço e consulto Magdalena: olha lá saímos assim com este tempo?
Ela: claro, sem problema. Ok.
Vem logo a D. Helena, ai que vais ter frio, näo podes ir com eses ténis, e tens de ir agasalhado...
Expliquei-lhe que tinha umas botas e um casaco muito bom para a situaçäo (obrigado Telmo).
Aparentemente umas calças comuns näo eram suficientes, e lá me convenceram a usar umas ceroulas à "Robin dos Bosques". Vejo-me em cada uma...
Umas espécie de collants brancos, mas demarcadamente para homem, do género daqueles que alguns de nós usávamos na primária. O que eu me ri sozinho... O que é certo é que davam jeito, o tempo lá fora näo estava "simpático"...